Costumo usar este termo quando vivo algo surreal: uma experiência antropológica!
Sou extremamente urbana e apesar de adorar “mato”, minhas experiências acabam acontecendo na cidade mesmo. Desta vez, precisava escrever, então lá vai!
Como consultora, viajo o Brasil dividindo o tempo entre trabalho e andanças pela região do momento. Essa experiência aconteceu no interior do Rio Grande do Sul. Bom … o chimarrão eu continuo dispensando, mas uma olhada na lojas com os descontos de inverno, é sempre bom!
Passeando à pé pelo centro da cidade me dei conta que meu tênis não me acompanhou.
O “danado” já estava gasto!
Quem me conhece, sabe que meu gosto por roupas vai do clássico ao romântico, então … tênis só para caminhadas. Quando alguém me mostra este tipo de calçado falando da beleza, do conforto, da tecnologia e por aí vai, fico olhando sem referência alguma. Não consigo enxergar beleza e sinceramente acho um investimento alto. Invisto na tecnologia para cuidar do meu corpo e respeitar todo o trabalho de Pilates que minha fisioterapeuta faz.
Bom … como o “danado” me deixou na mão, precisei comprar um novo.
Entro numa loja, faço perguntas, experimento, pego cartão com nome do vendedor, modelo e preço … agradeço o atendimento e parto para outra loja.
Difícil adquirir algo que não tem apelo visual e por outro lado … tem preço alto!
Então, entro em outra loja … e outra loja … até que um senhor me atende tecnicamente.
Caracaaa! Aí começa minha experiência antropológica!
Ele pede para ver meu tênis, mostra o da loja, novo é claro! Comenta onde ocorre o desgaste e me recomenda algumas marcas. Os preços? Para mim, todos absurdos pois preferia gastar numa bota nova, mas … fazer o que!
Então, tecnicamente convencida vou experimentar e meus pés me convencem de que preciso levar mesmo!
Até aí, já estava me sentido emocionalmente satisfeita, mas a experiência surreal aconteceu na hora de negociar.O preço ia baixando conforme o tipo do pagamento e à vista em dinheiro … desconto total. Bom … precisava ir ao banco fazer o saque e estava com o tênis novo no pé. Na maior “cara de pau” perguntei se poderia ficar com o tênis para ir ao banco e a resposta foi que sim!!!!!!!!!!
Saí da loja com o maior sorriso no rosto pois negociação no “fio do bigode” ainda existe!
Deixei meu tênis velho na loja e fui procurar o banco!
A garantia do negócio?
Apenas a minha palavra de que voltaria para pagar o tênis novo!
Minha sensação?
Maravilhada!
Algo dentro da loja aconteceu!
Fui ouvida … fui respeitada … fui apreciada e validada! Eu existo! Isso foi surreal!



puxa Teca, isto ainda existe, é mesmo surreal!
Beijos