Arrancando baobás

Recife visto de Olinda -PE
Recife vista de Olinda -PE

Férias na cidade de Recife, no estado de Pernambuco, em pleno inverno, com uma temperatura de 30 graus.

Isso mesmo!

Para os curitibanos – como eu – enfrentando 3 graus, estava no paraíso!!!

Inclua céu azul, casarões históricos tombados, paisagem com coqueiros, café da manhã com tapioca e passeios noturnos em boa companhia.

“Saboreando” tudo isso meus olhos se encantam com uma árvore de baobá.

Sempre tive curiosidade de conhecê-la, mas achava que teria que ir para África – lugar de origem.

Fiquei ali, máquina fotográfica em punho – somente para compartilhar – pois meus olhos e minha memória jamais esqueceriam a sua magnitude.

Imediatamente me veio à mente o drama do Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry “lutando” para deixar seu planeta livre dos baobás:

“Com efeito, no planeta do principezinho havia – como em todos os outros planetas – ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido. Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá … O solo do planeta estava infestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o  com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os babobás numerosos, o planeta acaba rachando.‘É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho. Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução.’

Há anos atuando em consultório utilizo este texto como uma analogia do funcionamento da mente humana. Na linha cognitivista – que eu adoto como Psicóloga –, crenças determinam o comportamento e algumas não são saudáveis. Identificá-las o mais cedo possível – assim como as raízes de baobás –, ajudará a corrigir falsos conceitos que temos de nós mesmos ou da vida.

Inicialmente é difícil identificar raízes de baobás, pois roseiras e rabanetes são muito parecidas. Analogamente, muitas crenças parecem inofensivas – utilizadas para autoproteção-, mas podem determinar um comportamento não adaptativo e, desta forma, prejudicial.

Imagine o sofrimento de alguém que acredita que as pessoas não são confiáveis.

Naturalmente, toda vez que entrar num relacionamento, agirá com precaução, esperando uma frustração a qualquer momento. Gradativamente terá um “caderno” cheio de histórias de pessoas mal intencionadas e um coração cheio de mágoas e ressentimentos e seu “planeta estará rachado, pois as raízes de baobás sufocaram as roseiras e rabanetes”.

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Árvore de Baobá

Fiquei impressionada ao ver a força de sobrevivência do baobá de Recife.

Imagino que, seguindo a sugestão do Pequeno Príncipe, devemos após nossa toalete diária, começar a “limpeza de nosso planeta”, identificando, refutando e substituindo aquelas ideias, conceitos e cognições que preenchem nossa mente e que poderão ao longo do tempo “rachar nosso planeta mental”, desencadeando emoções negativas e comportamentos desadaptados.

E como sugere o Pequeno Príncipe: -É uma questão de disciplina!

2 comentários sobre “Arrancando baobás

  1. Amei o seu comentário.
    Realmente, a cada dia precisamos retirar os baobás e deixar somente as Rosas tomarem conta da nossa vida.

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