A Psicóloga e o Notebook

Então está consumado! Compra feita após um mês entrando em várias lojas, pesquisando na internet, conversando com pessoas entendidas do assunto e muitas anotações do tipo GB, HD, intel, celeron, dual-core, linux, librix, windows … Não adianta, sua especialidade é gente, disso ela entende, afinal é por isso que é Psicóloga.

Equipamento comprado pela primeira vez para uso exclusivo, nada de compartilhar  na empresa, com filho, com irmã, com amiga…

O vendedor orienta: – A primeira carga de bateria precisa de 8 horas com o computador desligado.

A Psi chega em casa, desembala  com zelo o notebook, lê as instruções do guia rápido.

Ufa! Ainda bem que existe em uma única folha, com desenho e textos curtos.

Tudo conectado para a primeira carga.

Mas a luz está verde?

Lê novamente o manual, calcula o horário e coloca o relógio para despertar as 3 horas da matina.

Isso vale o sacrifício, afinal, ninguém gosta de bateria “viciada” .

De vício ela entende, pois entende de gente! Não há nada mais complicado do que conviver com indivíduos e coisas que dependem desesperadamente de “energia” para poder funcionar.

O despertador toca no meio da madrugada.

Meio zonza vai olhar, a luz continua verde e a outra amarela não esverdeou.

Porque será?

Bom… liga o computador, tem carga na bateria, começa os procedimentos. Lê novamente  o manual, agora não é mais o guia rápido, mas o caderninho grosso no capítulo de gerenciamento de energia. Quase 4 horas da matina, “caiu a ficha”! Termo antigo, muito anterior ao notebook quando ainda existia nas ruas telefones públicos chamados de “orelhão”.

Bom … A tecnologia muda, mas os termos ficam. Ainda bem que alguma coisa sobrevive às relações cada vez mais efêmeras. A “ficha caiu” porque precisava primeiro ligar o computador, deixar a carga da bateria descarregar totalmente para depois recarregar 8 horas com o computador desligado.

No meio da madrugada, a Psi não sabe se chora ou ri e então entende porque é Psicóloga e não Engenheira. Lembra do vendedor! Custava ele dizer que primeiro ligava o computador e só depois fazia o procedimento dos 3 ciclos de carga da bateria de 8 horas cada uma?

Puxa! Como é bom ter QI (Coeficiente de Inteligência), neste caso QE (Coeficiente Emocional) para não se sentir mais burra do que já estava sendo.

Bom … acordada mesmo, a Psi resolve mexer no computer até acabar a bateria e começar do princípio.

A segunda descoberta – já que a primeira foi na tentativa e erro-, é que a bateria dura 2 horas. Já são 5 da matina, agora a bateria acabou. Tudo conectado, vamos ao princípio, pois a Psi não quer saber de bateria “viciada”. Nesta altura, o sono também acabou, pega papel de rascunho, caneta e escreve o primeiro artigo para depois digitar no computer, pois o sistema operacional mudou, o antigo saiu de linha, e precisa ser estudado no manual do usuário. “Usuário” de computador, deixemos bem claro!

Fica pensando em como Deus é sábio!

Já imaginou a arrogância do ser humano se sua inteligência não fosse seletiva?

Se todos entendessem absolutamente de tudo?

Ainda bem que o psicólogo norte-americano Gardner explicou que existe múltiplas inteligências:

  • linguística
  • matemática
  • espacial
  • musical
  • emocional

Isto dá uma paz no coração!

E também, ajuda na compaixão para entender que a especialidade de um não é a mesma do outro, o que cria nas pessoas uma interdependência.

Ou melhor explicando, os relacionamentos são interdependentes, pois precisamos de intimidade emocional para admitir nossas limitações e buscar ajuda para realizar o que é necessário.

Sabedoria divina: perfeição não existe aqui na Terra!

Um comentário sobre “A Psicóloga e o Notebook

  1. A questão das múltiplas inteligências de Gardner, de fato nos faz entender melhor sobre como funcionam as afinidades e identificações.
    Acrescentaria ainda que, não existe só uma forma de fazer as coisas. E isso não quer dizer que o resultado não seja o mesmo.
    Por isso com meus alunos, sempre ouço atentamente o que eles têm a dizer. Pergunto algo assim: “como você está pensando em fazer, como você pensa que dá para fazer…” Sempre descobrimos novas formas de pensar, de agir e concretizar um mesmo projeto. São vários os caminhos! E essa diversidade de idéias e pensamentos é que impulsiona o mundo!

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