A Ética da Mulher Inassimilável

Por que a “Bruxa Má do Oeste” é, na verdade, uma figura de consciência?

Há personagens que não nos emocionam — nos revelam.

Elphaba, rotulada como a “Bruxa Má do Oeste”, pertence a essa categoria rara: a figura que incomoda não por crueldade, mas por lucidez.

Sua trajetória não é a de alguém que deseja o poder, mas a de quem recusa pactuar com uma ordem que se sustenta pela exclusão e pela mentira simbólica. O sistema de Oz não a rejeita por ela ser má; rejeita-a porque ela vê demais, pergunta demais e não aceita a anestesia coletiva que mantém tudo aparentemente em harmonia.

A vilania, em Wicked, deixa de ser um atributo moral e passa a ser uma categoria política. Chama-se de “má” aquela que não pode ser assimilada sem que a estrutura revele sua falha. Elphaba torna-se bode expiatório não por agressividade, mas por coerência ética radical.

Identificar-se com essa personagem é reconhecer em si mesma uma experiência comum a muitas mulheres lúcidas:

a de ser chamada de difícil quando, na verdade, apenas não se negocia a própria verdade.

A “Bruxa Má do Oeste” não quer destruir Oz. Quer parar de fingir que ele é justo.

E, muitas vezes, isso é o gesto mais subversivo possível.

Então… você está mais para a “Bruxa Má do Oeste” ou para a “Glinda” que escolhe atuar dentro do sistema, suavizando-o?

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