O diagnóstico psicológico chega com o paciente, que se traz para a sessão de psicoterapia, quer ele queira ou não; quer ele saiba ou não. O paciente traz para o processo de psicoterapia queixas e demandas.
As queixas envolvem:
– cansaço físico, mental, emocional
– dificuldade nos relacionamentos afetivos
– dificuldade com pares no ambiente de trabalho
– dificuldade de se adaptar às regras da sociedade
– confuso quanto a sua sexualidade
– preocupado com sua baixa produtividade e alta procrastinação
– medo de sofrer uma crise de ansiedade
– com medo de entrar num quadro depressivo e pensar em suicídio
– com raiva de pessoas e do mundo e pensamentos recorrentes de vingança
– com vontade de largar a carreira profissional construída com dedicação e dificuldade
– preocupado com a falta de qualidade do sono afetando seu desempenho
– …
As demandas envolvem:
– quero me sentir grato e feliz
– quero reconhecer o amor da minha família
– quero progredir na minha carreira
– quero silenciar a minha mente e curtir a vida
– quero me mover em direção aos meus sonhos
– quero ter coragem de sair deste relacionamento abusivo
– quero ter coragem de mudar de profissão
– quero ter coragem de assumir minha sexualidade
– …
Eu poderia ficar aqui listando páginas e páginas de queixas e demandas ouvidas nestes 30 anos de formação, mas creio que até aqui você já teve uma noção da realidade, e já se identificou com algo, pois estas são questões humanas e atuais.
Minha intenção com este artigo é fazer um alerta, pois estamos numa época em que o mundo digital oferece gratuitamente testes para diversos diagnósticos e eles têm sido buscados trazendo um rótulo: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade; Transtorno do Espectro Autista; Transtorno Borderline; Transtorno Narcisista; Burnout; Transtorno Bipolar; Depressão; Síndrome do Pânico…
E, novamente, eu poderia ficar aqui listando o catálogo completo do DSM-V, Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais, mas o objetivo deste artigo é outro.
Afinal, para que serve o diagnóstico psicológico?
Serve como um rótulo para justificar comportamentos inadequados, ineficiências e manipular relacionamentos?
Serve como um ponto de partida para buscar o seu próprio aprimoramento, e viver a felicidade percebida?
Esta realidade aparece com o paciente para o processo de psicoterapia: alguns desejando apenas manipular o ambiente em que está inserido no trabalho, na família, no contexto social; outros numa busca genuína por mudança e equilíbrio dentro da realidade diagnosticada.
Como psicoterapeuta, acolho as dores, as queixas, as demandas e proponho a opção de buscar, junto com o paciente, alternativas para o bem viver dentro do diagnóstico, que às vezes chega junto com ele; às vezes ocorre durante as primeiras sessões de psicoterapia.
No final das contas, tudo o que queremos é Qualidade de Vida, entendida como o equilíbrio na área afetiva, social, física e laboral, pois assim existimos na integralidade.
Então, para que serve o diagnóstico psicológico?
Para revermos a medicação utilizada, inúmeras vezes prescrita de maneira errada, com diagnósticos rasos ou com falta de adesão ao tratamento. O que significa isso? Você já ouviu falar de pessoas que negam o diagnóstico, ou que determinam que tem algo e passam por vários médicos, até achar um que valide aquele diagnóstico? Que param de usar a medicação por conta própria, porque não querem se tornar dependentes?
O diagnóstico correto deveria servir como um ponto de partida para uma regulação bioquímica dos neurotransmissores, as substâncias que fazem a comunicação sináptica entre as células nervosas. E durante esta regulação iniciar o processo de novos hábitos e comportamentos em direção ao bem viver, dentro da realidade possível.
O diagnóstico correto deveria servir para que o paciente encontre forças para permanecer em situações que ele entenda que não deve ser mudada, pois traria destruição e impacto negativo em muitas áreas. Sim! Muitas vezes ficar é uma opção, mas deveria ser uma escolha consciente com estratégias de sanidade: um casamento para criar seus filhos; um emprego próximo da aposentadoria; o cuidado com um familiar doente ou idoso…
O diagnóstico correto deveria servir para você identificar e trabalhar conscientemente suas crenças, valores, princípios e propósito de vida e assim, tomar decisões em direção a sua existência com significado e significância. A felicidade percebida é uma realidade possível!
E por falar em diagnóstico, esta psicoterapeuta resolveu falar abertamente sobre o funcionamento de sua mente neurodivergente com Altas Habilidades, pelo simples fato de que o sofrimento pode vir também com um diagnóstico positivo, pois não está catalogado como transtorno, mas promove várias adversidades ao longo do desenvolvimento, começando na infância, pois as respostas aos estímulos diferem da média populacional. Não há nada mais doloroso do que viver uma vida tentando se adaptar e se encaixar no que é esperado no desempenho acadêmico, nos comportamentos sociais, nos relacionamentos afetivos…
Ouvi repetidamente na minha vida que está próxima de 60 anos, você é:
“Formiga atômica”
“Over”
“Difícil”
“Ninguém é bom o suficiente para você”
“Nasceu pronta”
“Não tem parada”
“Muito sensível”
“Muito exigente”
“Muito inteligente”
“Muito intensa”
“Escreve um livro novo quando lê”
“Escreve um filme dentro do filme”
“…”
Você pode ter certeza que tudo o que sempre desejei na vida foi ser amada, valorizada e desenvolver o potencial que se apresenta dentro de mim. Nunca, a motivação foi ser diferente ou melhor! Eu sinto muito, quando meu ser acaba sendo um censor para outras pessoas. Eu prefiro ser uma pessoa inspiradora!
Para que serve o diagnóstico psicológico?
Para que eu aceite que não basta eu desejar ser aceita nos grupos sociais, amada nos relacionamentos, valorizada profissionalmente… sempre irei sentir e interpretar a vida de maneira diferente e única. O que muda com o diagnóstico é a aceitação de que, inúmeras vezes, serei rechaçada por gerar inveja, ciúme e desmerecimento em pessoas que se comparam.
Para que serve o diagnóstico psicológico?
Para que você compreenda que apesar de um diagnóstico você é único, e poderá fazer escolhas saudáveis para imprimir neste mundo uma marca com propósito, deixando um legado com seu comportamento, suas criações, suas relações, sua genética…
Para que serve o diagnóstico psicológico?
Para você sentir que apesar da humanidade falha, você lutou pelo seu crescimento intelectual, mental, emocional e espiritual, pois não podemos esquecer que somos três em um: corpo, mente e espírito.

