Em pleno século XXI intitular-se feminista pode gerar um “bocado” de polêmica. Não deveria, pois esta foi a maneira das mulheres conquistarem o direito de estudar, ter uma profissão, RG, trabalhar, ganhar seu próprio sustento e também… votar!
Durante minha carreira como psicóloga – lá se vão 30 anos -, meu pai me chamava de “Mariana”, numa alusão à escritora e professora Mariana Coelho, uma feminista atuante, que acreditava na educação formal das mulheres para seu empoderamento. Conhecendo a história desta portuguesa, – que escolheu Curitiba, no Paraná para residir -, concordo plenamente com meu pai. Sou feminista e procuro empodeirar minhas pacientes/clientes na medida em que elas descobrem seus talentos, tiram sonhos do papel, lutam por salários justos, colocam limites em relacionamentos abusivos – seja lá qual forem -, e florescem não importam onde estejam.
Apesar de ser criada por um pai feminista, tive muita dificuldade de “existir” numa sociedade brasileira machista, quando casei obrigatoriamente precisei assumir o sobrenome do marido.
Você, jovem, está chocada?
Pois é, muitas das liberdades atuais das jovens, foram conquistadas com mulheres que, literalmente, deram suas vidas para que pudéssemos existir. Por isso, solenemente e anualmente, celebro o Dia Internacional das Mulheres.
E como mãe, não fui diferente!
Fui uma mãe feminista, de dois rapazes!
Como assim?
Criei meninos que faziam tarefas de casa como arrumar seus quartos; lavar a louça; separar as roupas sujas; tirar o sapato para entrar em casa (para não sujar o chão); arrumar a mesa e cozinhar. Independente de ter uma empregada para fazer a limpeza da casa, havia regras de ordem e limpeza, além de suas responsabilidades como estudar e tirar notas boas, adequadas para o contexto.
Certo dia – um dia qualquer na hora do almoço -, o mais velho (tenho dois filhos) em plena adolescência solta a frase:
Mãe, você é anormal!
Respirei fundo, pensei “Lá vem mais uma crítica”, mas respondi “Por que, meu filho?
Meus amigos tem dois tipos de mãe, aquelas que trabalham fora e as que são donas de casa, e você consegue ser as duas.
Minha felicidade foi imensa, pois ali estava a comprovação de que eu era uma feminista!
Acredito, assim como Mariana Coelho, que a mulher pode gostar de ser dona de casa e ao mesmo tempo, trabalhar, ter conta bancária e dinheiro entrando nela. E também, respeito aquelas que não gostam de cozinhar, tricotar, costurar, organizar e limpar suas casas. Daí, elas precisam pagar para alguém fazer, e assim… precisam trabalhar para isso! Caso contrário, ou é preguiça ou depressão, pois casa suja é sinal de algum problema emocional.
Minha certeza, de que fui uma mãe feminista – de dois rapazes -, veio quando eles tornaram-se adultos e donos de casa. Faz parte de seus cotidianos – além de trabalhar fora -, cozinhar, organizar e orientar as empregadas como querem a casa e suas roupas limpas. Eles investem tempo na escolha da decoração, plantas, louças e recebem amigos cozinhando para seus amores, incluindo a mim. Escolheram como suas companheiras mulheres empoderadas, com opinião, trabalho e projeção social. Isso é uma grande referência de filhos feministas, que não se sentem intimidados por uma mulher que brilha tanto quanto eles.
O que sinto?
Missão cumprida!
Mãe “anormal” que borda, costura, tricota, cozinha com muito prazer, fez faculdade, trabalha, se atualiza e inspira uma nova geração de homens e mulheres!


