Foi uma paixão irresistível: o cheiro, o toque entre seus dedos e desejava, a cada encontro, conhecer detalhes da sua existência sorvendo cada palavra que instigava a imaginação e deixava o pensamento fluir criando novas histórias, analogias, desejos… e mesmo na distância do sono, seus sonhos permaneciam vinculados à ele: como será o encontro amanhã? que emoções me serão reveladas? qual o final desta história?
A paixão iniciou na primeira infância e a acompanhou pela vida inteira, o desejo era ter mais, estar mais e cada tempo livre sua energia e pensamentos eram voltados somente para ele em completo ensimesmamento e devoção. Seu investimento financeiro também e, tudo foi ganhando uma proporção gigantesca transformando-se numa biblioteca de mais de cinco mil livros. Sim, sua paixão tomou conta da sua vida e se revelava a cada encontro social onde discorria sobre as obras, comentava títulos e desenho de capas, seus autores, enredos, contemporização histórica e também, suas desilusões.
Conheço pessoas com muitos tipos de paixão: carros, motos, armas, passarinhos (só não dá para colocar alguns no mesmo ambiente) plantas, filmes, moedas, action figures…
A minha paixão é por louças e me encanto com os diversos formatos de taças e copos, suas cores e seus destinos: água, vinho branco, vinho tinto, cerveja, drinks… jogos em porcelana para chá? Quase enlouqueci quando viajei para a China! A louça para servir um jantar no formato retangular, ovalado, folha de bananeira, quadrado… mas sempre branco me agrada mais, por realçar as cores dos alimentos. Claro que minha paixão está atrelada ao gosto por cozinhar, receber e servir amigos que frequentam minha casa e minha vida. Caso contrário, não teria sentido, pois não seria uma paixão e sim uma acumulação!
Aí está a paixão e sua singularidade: enquanto uns investem tempo e dinheiro com a pescaria, outros dispensam sua energia com o futebol; alguns em roupas e outros em objetos para acampar; quadros de arte são paixões de custo alto e outros preferem os canais de entretenimento com muitas opções de filme… singularidade.
A paixão normalmente envolve uma certa obsessão e isso precisa de limites – para não virar um problema que necessite ajuda médica -, mas ela pode ser sentida de maneira positiva quando é compartilhada e então… entram em cena as afinidades: gostamos de estar entre pessoas com paixões semelhantes, num compartilhar de valores e amores que nos reabastece fazendo um sentir-se com propósito. Como isso é bom! Não somente sentir mas compartilhar!
Então… qual ou quais suas paixões?
Sua história é singular?
Com quem você compartilha?
Apropriar-se daquilo que faz seu coração pulsar mais forte, independente da opinião do outro, é importante para perceber e viver a plenitude da vida. Apenas, deixo uma recomendação! Como uma profissional do comportamento humano, minha orientação é não deixar sua paixão numa intensidade que acabe conflitando com seus relacionamentos, pelo contrário ela deveria levá-lo(a) para mais proximidade, talvez seletivamente, mas… com compartilhamento!
Tereza Karam é psicóloga e escritora, ocupante da Cadeira n° 28 na Academia Feminina de Letras do Paraná.

