Um olhar centenário sobre a cultura paranaense

Quem é curitibano conhece bem a rua Emiliano Perneta, localizada na região central caracterizada por lojas que fazem parte da história, mas… quem foi Emiliano Perneta?

Imortalizado, não somente pelo nome da rua, foi coroado o ‘Príncipe dos Poetas’ e é um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná  uma instituição cultural que completou no dia 19 de dezembro de 2022, 110 anos de existência. 

Revolucionária desde sua instalação em 1912, teve em seu quadro associativo quatro mulheres escritoras e poetas, buscando a equidade de gênero, abrindo caminho para tantas outras referências femininas.

A fundação ocorreu num período de diversidade étnica, com cultura local de imigrantes alemães, italianos, holandeses, sírios e portugueses tendo em comum, o empreendedorismo e a intelectualidade.

Uma mocidade boêmia, usando da palavra escrita em jornais e revistas para, de maneira poética e humorística, revolucionar uma sociedade com seus ideais abolicionistas e republicanos, criando identidade própria. Período histórico, onde o investimento em clubes associativos e teatros colocavam a cidade de ‘Curityba’ em evidência nacional, incluindo a primeira universidade do Brasil ‘Universidade do Paraná’ atualmente, ‘Universidade Federal do Paraná’ constituída no mesmo 19 de dezembro de 1912, data escolhida por comemorar a ‘Emancipação Política do Estado do Paraná’.

Compartilho meu olhar como curitibana, escritora, filha do professor, poeta e pesquisador literário Paulo Roberto Karam, membro efetivo do Centro de Letras do Paraná desde 1992 e um dos autores do livro ‘Um século de cultura – história do Centro de Letras do Paraná’.

Muito me emociona, ver a história sendo construída com ideias, que saem do campo do ideal e caminham em direção a realidade, formalizada em ata da fundação tendo como objetivo “Concorrer para o progresso mental do Estado, publicando uma revista, editando livros, fazendo conferências, etc”. A expectativa de que. sessenta e sete intelectuais – os primeiros associados – atuassem contribuindo com seus esforços e seus talentos em um “ambiente intelectual grande e brilhante com espíritos afinizados no mesmo ideal – poetas, romancistas, publicistas, críticos, jornalistas, etc”.

Se hoje podemos livremente, homens e mulheres expressar ideias, reflexões e conhecimento no universo on-line, devemos olhar para esta história centenária e nos inspirar com movimentos culturais revolucionários, como o de Emiliano Perneta e Euclides Bandeira, que são celebrados 110 anos após aquela reunião no salão de honra da redação do ‘Diário da Tarde’ localizado na Rua 15 de Novembro, n° 54, quando foi fundado o Centro de Letras do Paraná. “Uma instituição verdadeiramente democrática, não comportando limitações ao número de sócios, nem exclusão do sexo feminino, nem fardões… uniram-se parnasianos e simbolistas, historiadores e contistas, profissionais altruístas, filósofos e cronistas, amplos humanistas, todos paranistas”.

E nesta celebração de 110 anos, me torno membro efetivo compondo o quadro associativo, atuando como oradora dos novos empossados, compartilhando on-line meu discurso de posse:

“Excelentíssimo Presidente do Centro de Letras do Paraná, Ney Perracini.

Autoridades aqui presentes, já nomeadas.

Senhoras e senhores, amigos e conhecidos presentes.

É com alegria e muita honra que celebro a tarde de 16 de dezembro de 2022, onde sou empossada juntamente com outros colegas, que assim como eu, veem na cultura, na educação e na expressão da palavra escrita e falada, uma fonte de inspiração de vida!

Hoje é uma tarde de biografias!

Uma tarde de histórias centenárias que se renovam com o encontro de intelectuais, reunindo-se para conversar, trocar conhecimento, tomar chá, produzir poesia, expressar-se em prosa, rir e coletivamente deixar suas produções para a posteridade.

Inspirada e apoiada pelo meu pai – Paulo Roberto Karam, membro do Centro de Letras do Paraná, poeta, pesquisador literário e professor -, cresci envolta em livros e aprendi a traduzir pensamentos, sentimentos e aquilo que estudo em palavra escrita. Não saberia viver sem papel e caneta, máquina de escrever, computador e mais recentemente, um celular. Fundamentais para registrar em palavras o que borbulha na mente!

Muito me honra fazer parte de uma instituição cultural que, desde sua fundação, incluiu mulheres e seus saberes. Hoje, pode parecer algo banal, comum, mas sabemos, que foi uma construção histórica de luta pela equidade de gêneros. Desejo que ela seja nossa fonte de motivação para continuarmos a história atravessando séculos, difundindo pensamentos, elaborando emoções com a palavra, dançando ao som da poesia e da música.

Que possamos nos inspirar na história do passado e nos renovar com as trocas presentes. Desejo que esta tarde seja apenas o início de uma fase de compartilhamento, colaboração e produção entre universos diversos dos centristas.

Que Deus nos abençoe!”

Meu pai – Paulo Roberto Karam; Emiliano Perneta – fundador do Centro de Letras do Paraná e eu Tereza Karam, empossada como novo membro efetivo – Registro fotográfico: Larissa Grabowski

Um comentário sobre “Um olhar centenário sobre a cultura paranaense

  1. Parabéns, Tereza!!! Trabalhei nesta rua, quando vim de São Paulo, sem saber quem era o homenageado!! Ah! E tampouco sabia do seu pai!!! Duplamente Parabéns!!

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