Quando olhamos para nossa existência nos deparamos com necessidades primordiais pois “saco vazio não para em pé” mas, ao longo dela – da existência – vamos identificando inquietudes do ser e buscando acomodar ou realizar! Dar significado e ter significância, passa a ser tão primordial quanto o “pão nosso de cada dia”.
Diante desta inquietude, vamos nos movendo e direções são apontadas ao logo da trajetória!
Começamos com algo chamado de potencial: aquilo que pode existir ou acontecer mas, sem existência real, algo latente que precisa ser estimulado. Bom… já é um começo!
Durante o processo vamos desenvolvendo a potência: energia transformada por meio da realização de um trabalho. Vida acontecendo!
Identificar dons e talentos latentes, persistentemente trabalhar para desenvolvê-los e visceralmente sentir a potência deles, nos dá significado e significância!
Historicamente, este foi o caminho trilhado por intelectuais que em 1635 fundaram a Academia Francesa composta por quarenta membros considerados “imortais”. Os novos membros são eleitos pelos mais antigos e ali permanecem por toda a vida. Apropriando-se desse modelo, o mundo ocidental institui e constitui academias com o desejo de imortalizar obra e vida de pessoas. Significado e significância reconhecidos pela sociedade, onde o ser atuante ganha validação e motivação para continuar fazendo!
Escrevi até aqui para compartilhar com você a honra de ser convidada para a cadeira n° 28 na Academia Feminina de Letras do Paraná tendo como patronesse a escritora e feminista Mariana Coelho que nasceu em Portugal em 1857 e em 1892 fixou-se em Curitiba. Entendia que a educação das mulheres era fundamental para sua ocupação, no espaço e no tempo! Exercendo o magistério, fundou e dirigiu o Colégio Santos Dumont e foi diretora da Escola Profissional República Argentina. Escritora em prosa e algumas poesias, foi uma feminista atuante, acreditando e investindo na educação formal das mulheres para a conquista da sua liberdade financeira. Com vários livros publicados, seu destaque é para ‘A evolução do feminismo’ publicado em 1933 e reeditado em 2002 pela Imprensa Oficial do Paraná.
“Ora, a mulher que apenas sabe ser dona-de-casa, é incapaz de viver do seu trabalho, não se pode tornar independente – está fatalmente condenada a ser escrava – ou dos parentes ou dos estranhos, quando não consiga uma miserável pensão para não morrer de fome! De mais a mais, que sua profissão a não inibe absolutamente de ser, em todo o terreno, muito boa dona-de-casa.”

Que possamos como mulher, honrar nossas antecessoras e validar o apoio masculino no reconhecimento da nossa potência feminina!

