Viver sozinha no campo, longe de tudo e de todos, já na meia idade não é para qualquer um, mas ela encarou. Para ela – mulher vivida, amada e também como não dizer, mal amada -, era para ser uma noite somente… mais uma e nada mais.
O frio insiste e um vento gelado passa pelas frestas num vão da janela. Ainda não amanheceu!
Olha em volta e não vê calor, nem luz, nem sombra.
Insone, sente-se encaixotada, encerrada em si mesma!
Um dia é diferente do outro e uma noite antecede um novo dia.
Resolve não se preocupar pelas horas. – Para quê saber?
Não há muito o que mudar, pois não controlamos o tempo, pelo contrário, ele é que nos controla e nesse controle só resta aguardar a primeira luz raiar.
O galo canta e resolve sair da caixa que a encaixota!
Um cobertor, tamanco e logo chega em sua cozinha: primeiro a lenha e o fogo para aquecer água para o café torrado e moído há poucos dias.
Hummm… que delícia, o ar frio ganha calor com a luz do sol banhando seu quintal.
Ainda tem energia para limpar, tratar dos animais, plantar, dirigir a carroça e apreciar o nascer e o pôr do sol.
Sozinha, noite insone
no campo sentindo frio
controlar o tempo?
Nem pensar, só resta
aguardar o galo cantar
envolta em cobertor.
Passar o café
grãos torrados e moídos
humm… delícia sentir!

