Buscando fe-li-ci-da-de

O ano de 2020 entrará para a história do planeta Terra, que precisou se reinventar e adotar o ‘novo normal’. Com o isolamento social – imposto para coibir a propagação de um vírus com alto índice de letalidade – a casa, a habitação foi considerada um local de extrema importância. Nela, trabalhamos remotamente e foi necessário criar um ambiente para o home office. Nela, descobrimos maneiras para nos exercitar, relaxar, nos divertir e aprender a conviver 24 horas por dia, com quem habitamos.

Descobrimos que a felicidade precisava ser encontrada ali e não mais, nas viagens, na aquisição de um carro novo, na convivência com os colegas de trabalho, nos passeios ao shopping, nos bate papo nos cafés.

Mais do que nunca o conceito de felicidade foi desejado, percebido e questionado.

A busca pela felicidade é considerada uma macrotendência, conceituada como alive e deixou de transitar pelos livros de autoajuda tornando-se disciplina em 1998 com a Psicologia Positiva de Martin Seligman.

Em seu livro de 2007 ‘Seja mais feliz’, Tal Ben-Shahar, Ph.D em comportamento organizacional e doutor em Filosofia e Psicologia em Harvard, nos brinda com uma linguagem de fácil entendimento, mas com embasamento teórico e nos estimula a praticar a felicidade no dia a dia.

“Precisamos reconhecer que a felicidade é um recurso ilimitado para então nos concentrarmos nas formas como podemos obter o máximo dela. Ser mais feliz é uma busca para toda a vida.”

Tal Ben-Shahar identifica 4 arquétipos.

  1. O arquétipo rato de laboratório: sempre correndo atrás de novas metas, títulos, promoção… é incapaz de desfrutar o que faz, caminha pela vida com a crença de que quando atingir determinada meta, será feliz.
  2. O arquétipo hedonista: busca o prazer e evita o sofrimento, valorizando somente o presente com a crença de que a gratificação precisa ser imediata, podendo colocar-se em risco ou adotar comportamentos que comprometam o futuro.
  3. O arquétipo niilista: representa a condição de estar preso no passado, com a crença de que a vida não tem significado, que não tem controle sobre ela, tornando-se uma pessoa que desistiu da felicidade.
  4. O arquétipo da felicidade: leva-se pela vida com a crença de que é possível desfrutar dos benefícios do presente em direção ao futuro e que, o esforço feito durante uma jornada não invalida a felicidade, desde que você consiga extrair prazer e significado.

Depois desta explicação, em qual arquétipo você acredita que se encontra?

Ao longo da minha carreira de 25 anos como Psicóloga Clínica e Organizacional, encontrei pessoas transitando pelos arquétipos rato de laboratório, hedonista, niilista, com um vazio imenso e um pedido de ajuda. Como posso sentir a felicidade pulsar dentro de mim?

A definição do arquétipo da felicidade oferece o caminho, que só você poderá trilhar, pois é absolutamente sob medida, mas que pode ser compartilhado com aqueles que tem as mesmas crenças e valores.

“O prazer se refere às emoções positivas aqui e agora, aos benefícios presentes; o significado diz respeito a ter um senso de propósito, dos benefícios futuros de nossas ações.”

O caminho você já tem, assim como muitos alunos de cursos, workshops e leitores de livros. O próximo passo é implementar ações em direção à tal felicidade.

Neste momento entram em cena o psicoterapeuta, o coach e os grupos de apoio, pois para implementar hábitos saudáveis que fazem a felicidade permear a vida, é preciso criar rituais e repetidamente executá-los até que sejam incorporados, num processo de funcionamento cerebral.

Temos três cérebros funcionando ao mesmo tempo, num diálogo de sinapses, que por fim determinarão nosso comportamento. Achamos que somos racionais e que tendo o conhecimento, podemos fazer as mudanças necessárias para aquilo que desejamos. Mas acabamos refém de nossas emoções, pois começamos motivados e empolgados, mas basta um “dia de chuva” para esmorecermos. E além disso, ainda temos um funcionamento cerebral bastante teimoso, chamado de instintivo e que se nega a alterar hábitos, mesmo que não sejam saudáveis, pois o gasto de energia será imenso.

Então… bora se autodeterminar e buscar uma fonte de apoio para caminhar em direção a Qualidade de Vida.

“Vivemos uma vida feliz quando tiramos prazer e significado do tempo que passamos com as pessoas queridas, ou aprendemos algo novo, ou nos envolvemos num projeto no trabalho. Quanto mais nossos dias se encherem com essas experiências, mais felizes nos tornaremos. É tudo que temos que fazer.”

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