Você conhece a lenda de Narciso? Ela vem da mitologia grega e conta a história de um jovem tão belo, que quando viu sua imagem refletida no espelho do lago apaixonou-se por si mesmo e permaneceu ali, imóvel até a morte.
Dramático?
Sim, dramático e real. A personalidade narcisista apaixona-se pelo “espelho” e transita ao nosso lado como “amigo”, colega de trabalho, familiar…
A loucura deste Transtorno de Personalidade é que ele se intitula “singular”, cheio de “talento” e “perfeito” apresentando uma estrutura ego-sintônica e assim, sem abertura para mudança.
No parágrafo acima coloquei as palavras entre aspas, pois precisamos respeitar nossa singularidade, identificar nossos talentos e caminhar em busca da perfeição, sabendo que nunca iremos atingi-la, mas estremos num processo de melhoria contínua.
Por ser uma estrutura de pensamento ego-sintônico pode esquecer o conceito de feedback. Não perca seu tempo, pois estas pessoas “formam amizades e relacionamentos somente se vislumbrarem a possibilidade de que a outra pessoa vá ao encontro de seus objetivos ou de outro modo, aumente sua suto-estima” (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-IV).
Ao lado desta pessoa, você terá a sensação de que foi “usado” e a ausência de empatia, é mais uma característica identificada, pois comporta-se como um explorador em relacionamentos interpessoais, acreditando ser alvo da inveja alheia, afinal considera-se “especial”, “singular” e espera ser bajulado, reconhecido publicamente, exigindo uma admiração excessiva.
Assim, como o Narciso da lenda grega, estas pessoas “morrem” diante de um espelho distorcido que criaram. Elas são de fato sedutoras, belas, interessantes, inteligentes… mas são humanas e falíveis. Negar isto é distorcer o espelho. Apropriar-se da “beleza” de outros, porque fazem parte de um grupo seleto, é distorcer a realidade. Viver fora da realidade é insanidade!
Você tem um “Narciso” perto de você?
Todos temos um pouco de “Narciso” dentro de nós?
Uma coisa é identificar suas características pessoais, seus talentos únicos e se sujeitar ao aprimoramento, que exige entusiasmo e persistência tornando-se assim, uma pessoa excelente.
Outra coisa, é com pouco esforço, apropriar-se de títulos que não são reais e criar um regimento de pessoas facilmente manipuláveis e medíocres, que validam a imagem distorcida, criada pelo Transtorno Narcísico.
Como saber a diferença?
Olhe ao redor, colha informações sobre os relacionamentos interpessoais. Verifique se eles são superficiais, verifique a perenidade. Os “Narcísicos” encantam por um tempo, pois sua “beleza” é real, mas ao longo do tempo geram “morte” ao seu redor, pois relações verdadeiras sempre extraem do outro o melhor.


