“Trabalho de Formiguinha!”

formiga atomica

No início da minha vida adulta, lá pelos 20 e poucos anos, ganhei o apelido de “Formiga Atômica”. Lembra-se do desenho animado criado por Hanna-Barbera? Então …essa foi a inspiração para o apelido. Às vezes me sentia assim mesmo, entusiasmada com a vida, fazendo movimentos que mostravam empenho, agilidade, dedicação, disciplina e apesar do meu tamanho (tenho 1,52 m) estava fazendo a diferença na sociedade.

O tempo foi passando, e eu fui descobrindo que aqueles “superpoderes” estavam atrelados ao romantismo e idealismo característicos dos jovens. As frustrações e dores emocionais, ocasionadas pela cultura do país onde vivo, pela profissão que escolhi e até mesmo pela família onde fui criada, acabaram me mostrando que sou apenas uma “formiga carregadeira”, levando mais uma folha para o sociedade do “formigueiro”.formiga carregadeira

Como diz Jandira Masur:

As coisas tem muitos jeitos de ser, depende do jeito da gente ver!

Acontece que a sociedade das formigas é um mundo de grande desempenho, onde existem várias espécies com funções específicas, trabalhando incessantemente chegam a carregar cinquenta vezes o seu próprio peso. De grande valor, o que torna esta sociedade invencível, é seu nível de cooperação, comunicação e vontade coletiva.

Pensando desta maneira, menos romântica como em minha juventude e mais madura, acredito que posso ter o apelido de “formiguinha”!

Ao longo da minha existência fui aprendendo sobre hierarquias e liderança; desenvolvendo disciplina que coopera para o bom desenvolvimento do grupo; reconhecendo o valor do meu ser, apesar do tamanho pequeno. E acredito que o mais importante, foi aprender que não sou uma “formiga com superpoderes”, mas sou mais uma na sociedade em que fui instalada (família, trabalho, cidade, país) e posso com minhas ações cotidianas, voluntariamente, cooperar para o bem dela.

Recentemente, tive o prazer de reencontrar de forma casual e inusitada uma professora. Fiz ensino médio no antigo CEFET, atual UTFPR, e aos meus quatorze anos de idade, tive como inspiração a professora Kuchenie. Ela foi mais do que uma professora de geografia, foi uma socióloga e fonte de inspiração para os valores humanos e de civismo. Hoje aos 70 anos, professora aposentada, pode com certeza sentir-se uma “formiguinha” que contribuiu para o sucesso da sociedade em que viveu. Pequena, olhos azuis, traços europeus, fala mansa, ideias articuladas revelam a mulher sábia, fonte de inspiração para muitas gerações.

É para ela que escrevo este artigo! E compartilho com vocês uma pouco da minha história envolta em emoção!

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