‘ Porque o rei fazia questão fechada que sua autoridade fosse respeitada. Não tolerava desobediência. Era um monarca absoluto. Mas, como era muito bom, dava ordens razoáveis. “Se eu ordenasse, costumava dizer, que um general se transformasse em gaivota, e o general não obedecesse, a culpa não seria do general, seria minha. É preciso exigir de cada um, o que cada um pode dar, replicou o rei. A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.’
Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe
Dentro das organizações de trabalho, temos o conceito de autoridade formal que é determinada pelo organograma da empresa, e também, a autoridade adquirida através de uma liderança baseada em princípios, que estimula a obediência dos liderados.
Gosto quando o personagem do rei, em O Pequeno Príncipe, verbaliza que sua autoridade repousa sobre a razão e por suas ordens serem razoáveis deverão ser cumpridas. Ele mostra o que chamamos tecnicamente de “pensamento distônico” quando diz que seria sua culpa – se uma ordem não for cumprida – porque entende que esta não deve ser razoável. Gosto deste “rei”.
Gosto das pessoas que se movimentam pela vida , argumentando consigo mesmas, que se orientações, determinações ou ordens que não estão sendo cumpridas, é porque provavelmente não estão sendo razoáveis. Também gosto daqueles que sabem, que muitas vezes é necessário tempo para serem entendidas como razoáveis.
Servir como autoridade e referência para seus liderados (filhos, funcionários, colegas de trabalho, clientes) exige que observemos se nossas ordens são razoáveis e se as pessoas tem maturidade suficiente para discernir isso. Muitas vezes nas relações entre pais e filhos adolescentes, ordens razoáveis são questionadas e desobedecidas. Precisamos lembrar que nesta fase o adolescente está “cortando o cordão umbilical emocional” com os pais e começando a determinar sua própria existência. A maturidade para manter-se razoável e não fazer concessões absurdas deverá ser dos pais, neste caso, autoridade formal.
Para os imaturos (adolescente ou adultos) precisamos:
- prescrever as regras comunicando claramente as expectativas e metas
- definir o papel na relação como meio e fim
- informar os fatos
- descrever as situações
- instruir e também dirigir seu comportamento
Não podemos esperar que pessoas imaturas, mostrando-se inseguras, incapazes ou mesmo indispostas, apresentem respostas positivas. Isso também vale para funcionários recém-admitidos, que ainda estão conhecendo a cultura empresarial ou mesmo para recém-formados, que apesar do conhecimento técnico, não tem experiência de vida.
A autoridade formal utiliza suas prerrogativas para educar e, com treino, conduzir o outro à maturidade.
Lembre que aquilo que eu faço me dá mais autoridade sobre o outro, do que aquilo que eu falo.
A liderança formal precisa ser, gradativamente, substituída pela liderança adquirida!



