“É possível ser livre para ser você mesmo, sem buscar nas pessoas validação,
aprovação ou permissão.
Ao mesmo tempo, você vai aliviar os outros da pressão de serem mais significativos para você,
do que é humanamente possível.”
Kerry e Chris Shook
As grandes dores relacionais vem acompanhadas pelo falso conceito de que não se pode existir sem “ter”: parceiros de vida, pais amorosos, amigos leais, filhos fiéis … A sensação percebida quando não se é correspondido é de que pedaços do corpo são arrancados. O coração chega a doer de tal maneira que a dor emocional é confundida com a dor física.
A dor é real e mais intensa num mundo onde a condição de ter se sobrepõe à condição de ser. Com valores invertidos, a motivação para qualquer relacionamento é o quanto se ganha com ele, pois não se pode perder tempo com pessoas que pouco podem agregar.
As relações estão cada vez mais efêmeras, pois o tempo da agenda para determinada pessoa estará disponível, quanto mais ela possa suprir alguma necessidade. Num tempo de comunicação on-line, nunca o ser humano queixou-se tanto de solidão.
Aumentaram as demandas, as exigências e as carências. Passar na casa de um amigo ou parente, sem avisar, apenas para “jogar conversa fora”, sentir o cheiro e saborear o “bolinho de chuva” preparado na hora, de improviso (aquela receita da vovó que vai farinha, açúcar e fermento) bom … isso virou lenda!!
Tempo é dinheiro e não dá em árvore, precisa investimento, senão não rende. E nunca sabemos o quanto poderemos “render” para uma pessoa, mas percebemos claramente quando “rendemos” pouco, pois a agenda dela não tem sobra de tempo para nós.
Aprender a viver, sem buscar ser mais significativo para o outro quanto você imagina que deveria ser, exige consciência própria, consciência de suas características, necessidades e motivações, aquelas mais intrínsecas.
Exige também bastante treino, pois após a tomada de consciência de que você sobrevive sem o outro – apesar da dor – vem o exercitar validar-se e permitir-se existir, independente do quanto receba de afeto, admiração, respeito e apreciação do outro, seja lá quem for!!!



Então… E nos dias de hoje, essa banalização dos sentimentos, é o que se usa chamar de “Tempos Modernos”.
Vejo um paradoxo: diante de tanta facilidade de comunicação e possibilidades de estar perto do outro, as pessoas estão se tornando cada vez mais sozinhas, intolerantes e alheias ao próximo.
Sem dúvida, essa realidade, entristece o coração!
Beijos!